quarta-feira, 4 de novembro de 2009

O Segundo Mistério - Parte V

A Lua Nova chegou sob descargas de Energias da Radiação Ultra-Violeta no Planeta. O Mundo, como o reconhecemos, se dilui na Luz. É preciso finalizar as decisões tomadas e se tornar no que deseja.

Nossas heroínas ainda não sabiam o que lhes aguardavam. A Adoradora de Cores e Flores já caminhava a Trilha das Deusas, mas a Fazedora de Asas Coloridas, apenas iniciava seu aprendizado.


As Duas se exercitavam numa manhã, caminhando e conversando pela estrada de terra batida, que serpenteiam entre o rio e a montanha levando à Bocaina dos Blaudts, rumo norte.


Quando ouviram um suave canto feminino. Estavam próximas à ponte do bambuzal, o silêncio emoldurava o canto acompanhado apenas do barulho das águas rolando sobre as pedras. Uma estranha quietude as envolvia, havia algo estranho no ar, elas podiam sentir.


Ao começarem atravessar a ponte de madeira, tiveram seus olhos atraídos pelo rio que deslizava feliz sob os delicados raios de um Sol de Outono.

Sem entender o que viam, tiveram seu olhar seguro pela visão de uma linda jovem nua, sentada numa pedra, no meio do rio, penteando longos cabelos e cantando.As duas ficaram ali paradas, olhando sem se darem conta do tempo.


Por fim a estranha jovem sorriu para elas e disse sem falar com os lábios e elas ouviram em seus pensamentos, que seriam visitadas por outras Deusas, que a Iniciação apenas começara. Dito isso, ela se volto para o leste e se foi num mergulho em águas que não as do rio. As duas ainda puderam ver as nadadeiras sumindo nas águas.

Não será preciso dizer a perplexidade das duas, que permaneceram estáticas no meio da ponte, perdidas em indagações.


O carro de Apolo atravessou o céu de São Pedro deixando um rastro de estrelas na noite escura.


Nenhuma das duas ousou comentar a experiência vivida. Falar traria para a realidade o que preferiam que fosse um sonho, talvez uma alucinação pelo esforço da caminhada puxada.



A noite estava linda e fria, a Via Láctea mostrava o Caminho Mágico da Lua Nova, levando o leste para oeste.



As duas, já esquecidas do evento da manhã, resolveram fazer uma pequena fogueira no jardim da Casa de Boneca. Sentaram-se em volta do Fogo Sagrado e brindaram com vinho (sangue da Terra) à dádiva de estar em lugar tão agradável de viver.


O pequeno jardim se avizinha com uma extensão de terra, que sobe um morro e termina num bosque de eucaliptos. A terra é semeada e plantada de acordo com as Estações, muitas bananeiras guardam a fronteira entre os visinhos.


De repente ouviram um barulho de passos quebrando galhos e amassando folhas. Elas se ergueram atentas ao intruso. Só puderam ver um vulto masculino, correndo entre as bananeiras e sumindo no mato. O silêncio retornou, mas a inquietação persistiu afinal o que é que elas tinham visto?


O vulto era humano, caminhava ereto, mas tinha patas e chifres na cabeça. Céus, o que estava acontecendo com as duas! Encontraram uma Mãe D’Água pela manhã e a noite, um Fauno corria pelo jardim. O que significava aquilo?

Por Beth Miguez